Aproveitamento Estrutural na Reabilitação

A demolição põe a descoberto o esqueleto do edifício, eventuais carências e potenciais aproveitamentos estruturais


As estruturas de madeira têm a vantagem de poder ser reconvertidas e reutilizadas quando deixam de assegurar a função para a qual estavam destinadas. Inspeções não intrusivas podem ajudar o proprietário a perceber de que forma os elementos estruturais existentes do edifício devoluto podem servir a visão de um novo projeto, de forma a garantir a otimização de custos desde o primeiro momento.





Os edifícios típicos de habitação do centro do Porto, construídos até inícios do século XX, eram, na sua maioria, implantados em lotes de terreno de pequena largura e grande extensão. Alçados estreitos e empenas compridas funcionavam sobretudo como paredes meeiras, determinando o funcionamento estrutural e comportamental da habitação. A mesma era constituída por pavimento e cobertura em madeira apoiada em paredes de alvenaria de pedra – granito, na sua maioria – à qual se adicionavam paredes interiores e exteriores, também em madeira, em tabique e em frontal.


A edificação reflete-se complexa, mas indissociavelmente estável.





Ciclo de Vida do Produto introduzido em Obra





São conhecidos inúmeros exemplos de estruturas de madeira em bom estado que contam centenas de anos, e outros tantos benefícios a nível da betonagem e vedação da fundação do uso da madeira em conjunto com alvenaria. O material proporciona bom isolamento acústico e térmico tal como boa resistência à compressão e à flexão. Paredes de alvenaria de pedra emparelhada em cunhais são um recurso comum que assegura maior capacidade de resistência. Outro exemplo bastante utilizado é a gaiola pombalina, composta por prumos e ligada por frechais na parte superior. Os recursos popularizaram-se após o terramoto de 1755 para garantir estabilidade de pavimentos em caso de queda de pedra.


No que respeita pavimentos, esses eram constituídos por vigamentos apoiados nos frechais das paredes onde se assentava o soalho, método que contribuía para um melhor comportamento sísmico em caso de abalo.



O aproveitamento da estrutura em fase de demolições passa pela verificação do estado dos elementos estruturais de forma a assegurar que estes não sofreram variações que colocam em causa o seu aproveitamento. Entre os parâmetros de avaliação constam variações dimensionais originadas pela humidade, fendas, ataque de agentes biológicos e atmosféricos, e deformações por afluência.


Poderão ser utilizadas técnicas menos tradicionais para a recolha de informação relativamente às características geométricas dos elementos e às fundações, como sondagens e/ou ensaios. Os mesmos podem ser caracterizados como não destrutivos, semi destrutivos ou destrutivos, sendo sempre preferível optar pela utilização da técnica não destrutivas ou pouco destrutivas - como a abertura das paredes interiores.


Quando a qualidade dos materiais das alvenarias a nível da conservação é satisfatória pode não se justificar a realização de ensaios in sito para determinação das propriedades mecânicas. Para assegurar que a integridade dos elementos se mantém no decorrer da obra podem ser aplicados testemunhos de gesso em fissuras existentes para posterior verificação do seu estado (que poderá ser ativo ou inativo) e consulta.


No que respeita às paredes o objetivo é efetuar a manutenção dos frontais sempre que possível, de forma que a construção da estrutura de betão não comprometa a integridade da interligação dos elementos.





Ensaios: introdução às opções mais comuns


Como previamente referido, antes do início dos trabalhos é pertinente efetuar um Levantamento de Diagnóstico do edifício a reabilitar identificando, sempre que possível através de técnicas pouco intrusivas, as condições dos elementos estruturais.

Os serviços prestados pela AddBuilding são sumarizados de seguida:


Não intrusivo ou não destrutivo


Ensaios não destrutivos são um conjunto de técnicas de testes que não destroem o objeto ensaiado e que são usadas para avaliar as propriedades de um material ou componente.


A inspeção visual é o método mais empregado e revela bastante acerca do estado de conservação do edifício, quando efetuado por técnicos experienciados, já que obedece a sólidos requisitos básicos. É possível auxiliar a observação com equipamentos tais como:

- Esclerómetro, utilizado em cimento para medir a resistência à compressão através da libertação de carga a um embolo, por via de martelo controlado por mola;

- Máquina termográfica, para verificar a temperatura dos elementos construtivos, de forma a verificar com maior facilidade a presença de patologias ou deficiências construtivas;

- Medidor de humidade, medidor de superfície não destrutivo, que permite a verificação da percentagem absoluta ou relativa, dependendo do equipamento, e que complementa o diagnóstico de humidades e respetiva causa.


Este tipo de ensaio, porém, pode não facilitar o diagnóstico de patologias ou erros que não sejam visíveis nos elementos construtivos.


Outros métodos utilizados neste tipo de observação são líquidos penetrantes, partículas magnéticas, ultrassom, radiografia, análise de vibrações e emissão acústica.


Existe adicionalmente um teste semi-destrutivo efetuado em madeira com auxilio de resistógrado, de forma a medir a resistência das estruturas através da penetração de uma agulha controlada eletronicamente.



Intrusivo/Destrutivo


Ensaios destrutivos, contrariamente aos anteriores, são um conjunto de técnicas que podem destruir total ou parcialmente o objeto ensaiado.


São exemplos os ensaios de resistência à compressão e à tração, em que são utilizados corpos de teste provetes que são compressos para obtenção da tensão máxima, utilizada para calculo da resistência do material à compressão. O teste é utilizado em cimento e argamassa.


O medidor de humidade também pode ser aqui referenciado já existem medidores que possuem ganchos/sensores de medição que têm de ser inseridos diretamente no material de forma não superficial.


Outro tipo de ensaio destrutivo é a execução de ensaios pull off, que consiste na extração de uma pastilha metálica (dolly) previamente colada ao revestimento de forma a medir a força necessária para atingir a rotura. Com este ensaio verifica-se se o revestimento cerâmico (por exemplo) possui a resistência necessária para garantir o seu bom funcionamento.




A AddBuilding pode apresentar orçamento para estes e outros serviços. Para solicitar orçamento ou aconselhar-se com um dos nossos técnicos, pode contactar-nos através do email geral@addbuilding.com ou através do formulário.

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